quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O Che Guevara de Ponte de Lima

por Daniel Cruz e Fábio Carvalho

1. CERVEJARIA “RAMPINHA” EM PONTE DE LIMA – DIA

O TASQUEIRO está a colar um novo cartaz do CHE numa parede já cheia de fotografias do mesmo. Aí entra o Che, em pessoa, e dirige-se ao balcão.

CHE
Buenos dias, compañero.

O homem vira-se com cara de poucos amigos e ao ver Che fica ainda mais indignado.

TASQUEIRO
(resmungando)
Bom dia.

CHE
Uma tequila, por favor.

TASQUEIRO
Não temos.

CHE
Não têm? Mas sabe quem sou eu?

TASQUEIRO
Mas julga que eu conheço toda a gente que entra aqui?

Che aponta para as paredes.

CHE
Hombre, quem é aquele ali na parede?

TASQUEIRO
Aquele? É o Che Guevara.

CHE
E eu?

TASQUEIRO
Tu pareces o Vitor. Angola. Do batalhão de paraquedistas de 67.

Che profundamente irritado coloca-se ao lado de uma fotografia dele próprio e faz pose.

CHE
Hombre! E agora?

O Tasqueiro olha ligeiramente por cima da cabeça do Ché e vê uma foto de um dos Beatles.

TASQUEIRO
McCartney?

Ché acena “não” com a cabeça.

TASQUEIRO
Humm. O Zeca Afonso?

CHE
Foda-se! Que é burro, o homem! Olha para as fotos! Estas aqui!

TASQUEIRO
Fidel.

CHE
(gritando furiosamente)
Soy yo! Che, el Comandante!

TASQUEIRO
(ar de entendido)
Nés nada. No máximo, o Chalana do Benfica.

Entra a MORTE na tasca, interrompendo a conversa. Senta-se ao balcão. Ninguém parece surpreendido.

MORTE
Viva. É o costume, se faz favor.

O Che senta-se ao lado da morte e o tasqueiro serve~lhe uma imperial com um pires de tremoços.

MORTE
E já agora, não sabes quem é este gajo? Dou-te mais uma oportunidade para acertar.

TASQUEIRO
(hesitante)
Jesus?

A morte irrita-se e cospe o tremoço, que mastigava, na cara do Tasqueiro.

MORTE
Irra! Que é demais! Olha bem para ele. Bigode, boina, a metralhadora!? Vá, devagarinho. É... o... o... Che...

TASQUEIRA
Epá, se é o Che Guevara que morra já aqui.

MORTE
Chiça. Tu é que sabes. Deixa só acabar a cerveja, e já agora mais uma aqui p'ró... p'ró Che.

END OF SKETCH

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