por Rita Silva & João Carvalho
Num beco escuro violador persegue rapariga de óculos e livros na mão com ar de bibliotecária (Ana).
VIOLADOR
(levantando o braço)
Menina, desculpe menina...
ANA
(virando-se para trás com ar assustado)
Sim?
VIOLADOR
Importa-se que eu a viole, menina? Não queria causar transtorno mas acho que não me consigo conter.
ANA
Desculpe Senhor, não percebi?
VIOLADOR
Sabe menina, é que eu queria mesmo fazer amor consigo sem o seu consentimento.
Sabe, eu sou contra todo o tipo de violadores, acho até que deviam ser todos castrados. E toda aquela brutalidade é completamente desumana. Eu cá menina, defendo toda a vida desde os bichinhos às pessoas. A minha vizinha diz até que eu sou um amor de pessoa, mas a pessoa às vezes precisa...
ANA
Mas, mas, mas....
VIOLADOR
Eu violo mas não molesto. Você acha que eu sou algum monstro? Eu digo-lhe já aqui que eu seria incapaz de fazer mal a uma mulher. Eu acho que a mulher é a coisa mais maravilhosa que existe. E digo-lhe mais, a minha mãezinha que Deus a tenha soube sempre que o que o que eu lhe fazia era por amor, e quando morreu nos meus braços disse-me: “Ai meu filho nem nas minhas rezas sonhei ter um filho assim”.
ANA
(cada vez mais assustada)
VIOLADOR
Não me olhe assim que até parece que não estou a ser simpático consigo. Preferia que não lhe perguntasse e chegasse aqui e coiso e tal?
ANA
Não.
VIOLADOR
Então vê, cá estou eu a perguntar-lhe como um verdadeiro gentleman. Posso então fazer amor consigo?
ANA
Não, por favor deixe-me em paz
VIOLADOR
Ai menina que era isso mesmo que eu precisava de ouvir. É que se consentisse eu não era capaz.
O violador salta para cima dela.
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